BRUCE SELDON: O RAIO PODE CAIR NO MESMO LUGAR DUAS VEZES?

Enfrentar Tyson nunca foi bom negócio pra ninguém. Para Seldon então, o saldo foi bem duvidoso.
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais

Tem um famoso ditado que diz: “um raio não cai no mesmo lugar duas vezes”. Bruce Seldon talvez tenha achado que poderia desafiar esse ditado. Será?

A princípio sim.

Seldon foi um boxeador mediano, ainda que suas lutas sejam até divertidas de se assistir, ele contava com algumas virtudes como: um rápido e poderoso jab, além de poderosas sequências de cruzados de direita e esquerda, isso também era outro de seus predicados, socava bem com ambas as mãos.

Seu cartel tem vitórias e derrotas sobre bons nomes, o que caracteriza uma certa inconstância na sua carreira. Sua luta em que conquistou o título da WBA foi contra Tony Tucker, 11 anos mais velho, e o que valeu de vantagem para Seldon foi sua juventude e velocidade, principalmente nos jabs, que castigaram tanto o veterano que não pôde prosseguir na luta devido ao inchaço nos olhos. Mas em alguns momentos da luta, Tucker castigou Seldon com golpes que o fizeram balançar.

Mas o fato é que Seldon escreveu seu nome da história do esporte, se sagrou campeão de uma das maiores entidades do boxe, numa época de monstros sagrados, como Holyfield, Bowe, Lewis e …. Mike Tyson.

E esse foi o grande “problema” da carreira de Seldon.

Sua segunda defesa de cinturão foi contra Tyson em 1996. Tyson havia acabado de reconquistar o cinturão da WBC numa luta tranquila sobre Frank Bruno (outro “campeão” improvável) e agora era a vez de Bruce. Essa seria a grande luta da vida de Seldon, teria a oportunidade de enfrentar uma lenda, e figurar na galeria dos grandes boxeadores.

E foi aí  que Seldon acreditou que o raio poderia cair duas vezes no mesmo lugar.

Dias antes de sua luta contra Tyson ele declarou numa coletiva de imprensa que dividia seu tempo entre os treinamentos e o (saudoso) vídeo-cassete: e o que ele assistia? A luta entre Tyson e Buster Douglas. Uma das maiores zebras da história dos pesados. A famosa luta em que as apostas apontavam 42 para 1 em favor de Tyson (o que virou até um título de um documentário da ESPN sobre os bastidores dessa luta). Ou seja, Seldon sabiamente se enxergava na mesma situação.

Seldon declarava que assistia à luta, não para tentar imitar a maneira como Douglas lutou, mas sim para emular a atitude mental de James: “Douglas disse que lutou relaxado para vencê-lo. Manteve a calma em todos os momentos e seguiu sua estratégia. Tenho que fazer a mesma coisa nesse sábado”.

Dessa forma, Seldon acreditava sim que o raio cairia no mesmo lugar mais de uma vez. Pelo menos, fez todos acreditarem nisso. Mas no boxe, por mais que o “trash talk” e o jogo de manipulação psicológica possa surtir efeito algumas vezes, naquela noite de setembro de 1996 o que vimos foi um combate que durou apenas 109 segundos, e muitas suspeitas de que Seldon fez um tremendo de um “corpo mole”. Nesses poucos segundos ele caiu duas vezes, sendo que na primeira queda foi acusado de “mergulhar” no tablado, pois o golpe de Tyson não pegou em cheio. Segundos depois Tyson termina o trabalho e com outra combinação de golpes derruba Seldon pela segunda vez, que chega a se levantar mas ao cambalear na frente do árbitro Richard Steele, este decide por encerrar o combate. Causando muita frustração na plateia, que começar a vaiar e acusar Seldon.

A atuação de Seldon, além de ter sido decepcionante também levantou suspeitas.

A atuação de Bruce naquela noite causou indignação em Newton Campos que na época era vice-presidente do conselho Mundial de Boxe e presidente da Federação Paulista de Boxe, que chegou a declarar o seguinte:

“Já atuei como jurado em vários confrontos internacionais. Acompanhei essa luta e pude concluir que foi uma verdadeira farsa. Bruce Seldon mostrou não ter hombridade. É um cínico sem-vergonha, que debochou de milhões de pessoas. Ele se atirou à lona. Foi um covarde.”

A indignação de Campos não parou por aí:

“A comissão de boxe de Nevada deveria cassar-lhe a bolsa de 5 milhões de dólares. Ou ao menos, retê-la até investigar o caso.”

O fato é que as críticas e acusações contra Seldon persistiram, e ele decidiu se aposentar naquele mesmo ano (voltaria depois em 2004), em 1996 com seus 5 milhões de dólares.

Aquela que deveria ser a maior luta da sua vida se tornou uma das piores coisas, ou não?

Somente ele pode responder isso.

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