FLOYD PATTERSON E A VERGONHA DA DERROTA

Floyd sempre foi sincero e transparente sobre suas emoções, numa época em que falar sobre isso era extremamente incomum. Venha conferir um pouco mais.
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais

Após a derrota para Ingemar Johansson, Floyd tomou  emprestado o chapéu de um segundo, e o enterrou na cabeça, como se quisesse desaparecer lá dentro. Não via a hora de ficar sozinho. Ele voltou para sua casa, em Nova York, passando os dias na sala, com as cortinas fechadas. “Pensei que minha vida tinha acabado. A sensação era de que a qualquer momento um oficial de justiça batesse à porta com a ordem de apreensão para levar embora a televisão, sofá e o fogão, mostrando aos vizinhos, a todos os vizinhos brancos, que ele não era mais ninguém.

Em três semanas, saiu de casa apenas 2 vezes. Sua depressão durou quase um ano.

Sobre esse sentimento da derrota, Floyd deu declarações bem sinceras e um tanto incomuns para a época, segue alguma delas:

“Não temos medo de apanhar, mas temos medo de perder. Uma derrota no ringue não se compara a nenhuma outra.

Um campeão que é nocauteado ou sofre uma derrota humilhante nunca mais se esquece. Ele apanha debaixo dos refletores, na frente de milhares de testemunhas que o insultam e cospem nele, E ele sabe que está sendo observado por outras milhares de pessoas, na televisão e no cinema, e sabe que o pessoal do imposto de renda logo virá visita-lo – eles querem pegar sua parte antes que você perca tudo – e o lutador não pode colocar a culpa nem no técnico nem no empresário, nem em ninguém. O lutador derrotado perde mais do que o orgulho e a luta; perde parte do seu futuro, recua a um passo do cortiço de onde havia escapado.”

Patterson não encarava seus rivais na pesagem. Segundo ele, “vamos trocar socos no ringue, o que não é uma coisa legal”. Certa vez, ele cometeu o “erro” de olhar nos olhos de seu oponente e viu que ele tinha um rosto simpático. Os dois lutadores sorriram. A partir daí, Patterson passou a olhar para baixo.

Após sua primeira luta contra Sonny Liston (que durou pouco mais de 2 minutos), Patterson tomou uma ducha, vestiu a roupa e colocou uma barba postiça que ele já levava como precaução no caso de derrota. Com a ajuda de um amigo, fugiu para um local isolado sem avisar família nem a equipe. Pegou um voo para Madri. Se hospedou num hotel com um nome falso. Por vários dias, andou pelos bairros pobres da cidade, fingindo mancar. Fazia a maioria das refeições no quarto do hotel.

Floyd sofreu duas derrotas humilhantes para Sonny Liston, ambas no primeiro assalto.

Ao falar sobre esse inusitado episódio, tempos depois, Patterson declarou o seguinte:

“A gente precisa entender o que leva um homem a fazer coisas assim. Bem, eu fico pensando nisso, e a resposta é que não sei…Mas creio dentro de mim, dentro de cada ser humano há uma certa fraqueza. É uma fraqueza que se revela melhor quando a gente está sozinho. E eu consegui entender parte dos motivos que me levam a fazer o que eu faço, e não posso encarar isso porque, porque….sou um covarde.”

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