FLOYD PATTERSON: O CAVALHEIRO DO BOXE

Venha descobrir porque Patterson era considerado o “Cavalheiro do Boxe”.
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais
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Por Antonio Carlos Novais

É muito comum no boxe os pugilistas receberem apelidos (nicknames) por causa de seu estilo de luta ou por atitudes demonstradas dentro e fora dos ringues.

Dentre eles, um apelido é bem interessante, “Cavalheiro do Boxe” título atribuído a Floyd Patterson. Vamos conhecer um pouco mais sobre o porquê disso?

 Patterson sempre demonstrou uma preocupação genuína com seus adversários, a ponto de realmente merecer esse apelido tão nobre. Cito alguns exemplos que justificam isso.

Quando lutou com Chester Mieszala, um golpe de Patterson arrancou o seu protetor bucal, fazendo Chester ficar meio grogue e se abaixar para procurá-lo. Ao invés de aproveitar a oportunidade e finalizar o combate, Floyd também se abaixou para ajudá-lo a procurar o protetor.

Contra Tommy “Hurricane” Jackson ele tentou seguidamente fazer com que o árbitro Ruby Goldstein interrompesse a luta, evitando o sofrimento desnecessário do rival. O árbitro, profundamente comovido, acabou concordando.

Em sua segunda luta contra Ingemar Johansson, após nocauteá-lo e encerrar a luta, Floyd percebeu que o rival agonizava na lona, com sangue saindo pela boca e o pé esquerdo a vibrar, como se sofresse uma convulsão. Desesperado achando que Johansson poderia estar morrendo, Floyd se livrou dos abraços dos membros de sua equipe e ajoelhou-se no ringue, pondo a cabeça de Johansson em seus braços, em seguida beijou sua face e lhe prometeu uma terceira luta.

A compulsão de procurar aqueles que estão sofrendo levou Patterson, ao longo dos anos, a lugares improváveis. Sentado ao lado do ringue em uma arena apertada em Lewiston, Maine, e assistindo Liston ser nocauteado no primeiro round de uma revanche contra Muhammad Ali em 1965, Patterson sentiu que havia testemunhado a destruição do núcleo de seu velho inimigo, sua alma e respeito próprio. Incapaz de alcançar o perdedor em seu camarim após a luta, Patterson foi ao quarto de hotel de Liston 90 minutos depois e encontrou o lutador sozinho, já abandonado por sua comitiva. “O que você está fazendo aqui?” Liston perguntou.

Patterson disse rapidamente: “Olha, sinto muito pelo que aconteceu. Mas, às vezes, as coisas não funcionam como você gostaria, Sonny. Lutei com você duas vezes. Duas vezes fiquei tão infeliz. Mas você vai sair, você verá. Vai melhorar. “

Liston não disse uma palavra. Sua carranca perversa fora substituída por uma suavidade vidrada; os olhos escuros encaravam o nada. O homem olhou, pensou Patterson, não lá, como se estivesse pensando no fim. “Eu falei um pouco mais”, lembra Patterson, “e ele ainda não tinha dito nada. Então comecei a pensar: talvez ele não goste disso. Talvez eu deva dar o fora daqui. Porque Sonny tinha um temperamento indecifrável, você sabe. A verdade é que você nunca sabia o que ele estava pensando. Então, desejei-lhe boa sorte, virei-me e fui para a porta. “

“Floyd”, Liston chamou.

Patterson voltou-se e viu Liston sorrindo fracamente. “Obrigado, Floyd”, Sonny murmurou, e Patterson se despediu.

Merece ou não merece esse título tão distinto?

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