O RETORNO DE HOLMES: AUMENTANDO AINDA MAIS SEUS FEITOS.

O retorno de Holmes ao ringues e sua constante atividade até os 52 anos rendeu algumas boas lutas.

Apesar de ter anunciado por duas vezes que se afastaria dos ringues, a primeira após a segunda derrota para Michael Spinks em 1986 e a segunda após ser nocauteado por Tyson em 1988, Holmes decide voltar a lutar em 1991.

E ele retorna por baixo, enfrentando lutadores bem medianos, e com direito a alguns combates bem curiosos. Vamos analisar aqui alguns deles:

Sua primeira luta ocorre em abril de 1991 contra Tim Anderson, e dura apenas um round. Holmes castiga o oponente com fortes ganchos de direita na linha de cintura até nocauteá-lo.

O segundo combate se realiza em agosto do mesmo ano, contra Eddie Gonzalez. À primeira vista, parece que o confronto será uma réplica do anterior, mas por incrível que pareça, Gonzalez passa os dez rounds se defendendo, pouco ataca e ainda provoca Holmes em alguns momentos. Não foi uma luta para o ex-campeão se orgulhar.

E apenas 11 dias após isso, Holmes sobe ao ringue novamente, desta vez para enfrentar Michael Greer. E essa com certeza deve ter sido uma das passagens mais bizarras da carreira de Larry. Após 3 rounds em que ele controla as ações contra o oponente, no quarto assalto Greer de maneira bem afobada começa a disparar golpes contra Holmes, e lhe acerta alguns golpes na nuca. Após o árbitro separar os dois, Michael procura pedir desculpas a Holmes estendendo a mão para cumprimentá-lo, Holmes visivelmente aborrecido não aceita, e começa a caminhar na direção dele, com a guarda baixa. Greer assustado se deixa encurralar nas cordas e a partir daí Holmes desfere potentes golpes de direita, e a sensação para quem assiste, é que aquilo deixou de ser uma luta, parece mais um pai que dá uma surra no filho por mau comportamento, e após receber esses duros golpes sem oferecer qualquer reação, Greer desaba na lona inconsciente. Apesar do incidente curioso, o nocaute foi impressionante.

Poucos dias depois, em setembro, enfrenta Art Card, num confronto que ganha por decisão unânime após 10 rounds. Art se mostra um adversário de melhor nível que os demais, e busca a luta franca em alguns momentos. Mas Holmes nunca chega a ser ameaçado, e desfere um lindo knockdown em Art no quarto assalto. Nessa luta Holmes faz bastante uso de golpes com a mão direita, com direito a diretos, ganchos e cruzados, o que não era muito comum de se ver.

E aí Holmes tem uma “folga”, pois só sobe aos ringues dois meses depois em novembro contra Jamie Howe, um pugilista que não oferece a menor resistência e o combate se encerra antes dos dois minutos do primeiro round.

Essa sequência de vitórias leva Larry a se tornar um sério desafiante ao título. E em 7 de fevereiro de 1992, 10 meses após seu retorno ele tem a chance de realizar uma qualificatória para enfim poder desafiar o campeão. E seria seu primeiro teste verdadeiro, o oponente seria Ray Mercer, um pugilista com muita pegada, medalhista olímpico, que deixa o cinturão da IBO visando o cinturão de organizações maiores do boxe.  

E o combate que eles realizaram foi espetacular. Uma das melhores lutas dos pesados realizadas na década de 90.  Todo amante do boxe deveria assistir. Não à toa que na minha lista de 5 de combates memoráveis de Holmes ela figura lá. (Você pode conferir aqui.) E Holmes vence por decisão unânime após 12 disputados rounds.

Holmes e Mercer realizaram uma luta empolgante.

Essa vitória, lhe credencia a enfrentar o campeão linear Evander Holyfield. Nessa época, Evander ainda era muito contestado pela mídia e pelo público sobre sua “legitimidade” como campeão, pois todos falavam que ele só seria respeitado e reconhecido como tal se enfrentasse Mike Tyson. Por n motivos o combate não aconteceu naquela época, e Holmes era o desafiante número 1. E assim, em junho de 1992 se enfrentaram. Foi uma luta em que Evander em momento algum foi ameaçado. Basicamente Holyfield conseguiu fazer com que o combate se desenvolvesse no “infight” o que deixava Holmes muito desconfortável. Destaque para um belíssimo cruzado de direita que ele acerta em cheio no ex-campeão no terceiro assalto e no sexto uma cotovelada de Holmes acaba abrindo o supercílio direito de Holyfield.

Holmes só voltaria aos ringues em janeiro de 1993, vence Everett Martin por pontos ao término de 10 assaltos. Em março derrota Rocky Pepeli após 4 rounds. Um mês depois enfrenta o experiente Ken Lakusta, numa luta onde como de costume abusa de seus jabs e até duplos jabs (o que também não era muito comum vê-lo fazer) e vence ao fim do sexto assalto por interrupção médica. E nada de descanso para Larry, 35 dias depois nova vitória também por interrupção médica sobre Paul Poirier.

Após essa maratona, só volta a se apresentar em setembro, e enfrenta Jose Ribalta, aquele mesmo cubano que fez uma dura luta contra MikeTyson.  Vitória de Holmes por decisão unânime. Nova vitória por decisão unânime contra Garing Lane, e uma nova qualificatória aparece, dessa vez iria lutar contra o também experiente e casca grossa Jesse Ferguson. Combate disputado, e Holmes tem seu braço erguido após 10 assaltos.

Mais uma chance de disputar o cinturão, agora contra Oliver McCall. Oliver acabara de ganhar o cinturão da WBC ao nocautear de maneira surpreendente Lennox Lewis no segundo round, e aquela seria sua primeira defesa de cinturão. E senhores, o que se viu foi uma belíssima exibição dos dois atletas. Holmes iniciou muito bem, conseguindo manter a distância e acertando seus jabs. Mas a partir do quinto assalto McCall equilibra as ações e passa a dominar o combate. No nono assalto Holmes sofre um longo corte abaixo do olho esquerdo, mas segue no combate apesar de toda a dificuldade. Reconheço a garra e coragem do ex-campeão, foi um verdadeiro guerreiro dentro do ringue. Após 12 assaltos muito bem disputados, vitória unânime do campeão. Uma luta que também merece ser revista ou assistida se você nunca teve a oportunidade.

Uma grande exibição dos dois pugilistas. vale a pena rever ou ver!

Após essa derrota, Holmes conta com 45 anos de idade. Não precisava provar mais nada a ninguém, já que fez lutas duras contra os caras mais novos. Mas, prossegue lutando! De setembro de 1995 a junho de 1996 contabiliza mais 4 vitórias e uma terceira chance de disputar o cinturão. Agora seria por uma organização menor, a IBO, tendo pela frente o campeão Brian Nielsen, um experiente boxeador dinamarquês. Luta marcada para janeiro de 1997. Nielsen não era nenhum primor técnico, no máximo um lutador esforçado. A luta não foi lá muito bonita de se ver, e Nielsen vence numa decisão dividida.

Holmes lutaria mais uma vez em 97, vencendo Maurice Harris em julho. Em 1998 não realiza nenhum combate, sendo seu primeiro ano inativo desde a volta.

Em junho de 1999, luta contra o também veterano James “Bonecruscher” Smith, pela segunda vez, e vence por nocaute técnico no oitavo assalto. Essa seria sua única exibição nesse ano. Em 2000 enfrenta pela segunda vez também o veterano Mike Weaver, e o nocauteia com um belo direto de direita no sexto assalto. Um dos nocautes mais bonitos de Holmes da sua carreira, aos 50 anos de idade!

Larry só volta a se apresentar, e agora pela última vez em julho de 2002, contra o rechonchudo e folclórico Eric “Butterbean” Esch, e se despede dos ringues com vitória aos 52 anos de idade.

O saldo desse “comeback” de Holmes foi bem interessante. Seu desejo era voltar para continuar ganhando dinheiro (ele sempre afirmou isso ao longo da sua carreira), e óbvio que também havia a vaidade de aumentar seu nome na história do Boxe, que já era enorme, caso se tornasse campeão após tantos anos. Talvez ele tenha sido ofuscado pela volta de Foreman na mesma época, e principalmente pelo fato de George ter se sagrado campeão, coisa que Holmes não conseguiu. Pesa também o enorme carisma que o Big George possuía e que nesse quesito Holmes nunca foi muito querido do grande público (farei um post sobre isso em breve). Chegou a haver um acerto para que os dois se enfrentassem em 1999, mas  Foreman alegou não ter recebido sua parte do adiantamento da bolsa e a luta infelizmente nunca chegou a acontecer, engrossando a fileira de lutas dos sonhos dos fãs que não se concretizaram.

 Mas para os amantes do Boxe, sem dúvida a carreira como um todo de Larry “Easton Assassin” Holmes é de se tirar o chapéu.

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