Livro

resenha do livro o rei do mundo

Mais do que um relato do início da carreira de Muhammad Ali, O Rei do Mundo é uma excelente contextualização da sociedade americana na década de 60

NOTA

9,0
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais

NOTA

9,0
Antonio Carlos Novais
Por Antonio Carlos Novais

Além de uma biografia sobre Muhammad Ali, o Rei do Mundo também funciona como um excelente guia de contextualização sobre a sociedade americana nas décadas de 50 e 60, abordando temas óbvios como a segregação racial tão latente naquela época, e além disso, o que torna a leitura muito mais interessante na minha opinião é que a narrativa divide atenções com mais dois outros boxeadores: Floyd Patterson e Sonny Liston.

Com Floyd o autor nos passa uma visão de um boxeador que apesar de ser o campeão nunca se enxergou como um “grande” campeão, e que agia de forma muito curiosa e inusitada quando perdia suas lutas. Nunca li nada tão transparente sobre como um boxeador encarava suas derrotas, tão “humanizado” no sentido de confrontar os inimigos dentro da sua mente, inimigos que todos nós temos: medo e vergonha. Floyd também representa uma espécie de modelo para os negros da época: o bom moço cristão (que fique bem claro que esse “modelo” era segundo a opinião pública “branca” vigente na época).

Já com Sonny Liston, nada poderia ser mais antagônico: Liston, com seu passado na prisão e notoriamente um protegido da Máfia local nunca despertou a simpatia da mídia e do grande público. Era considerado o “negro ruim”, e apesar de nunca terem contestado sua técnica dentro do ringue (muito pelo contrário) foi um campeão com praticamente nenhuma popularidade. Apesar de ser uma biografia de Ali, o livro funciona como uma ótima fonte de conhecimento para esse boxeador que teve uma vida tão conturbada e que ilustra a situação de muitos atletas negros daquele período: pobre, sem instrução, joguete de mafiosos e que quando deixa de ser campeão cai no esquecimento geral.

Já com Ali, percebemos um quadro um pouco diferente: sua família pertencia à classe média, teve a oportunidade de cursar todo o ensino fundamental e médio (apesar de não mostrar muito interesse e aptidão para a vida acadêmica), e o esporte aparece já bem cedo na sua vida.

Se Patterson encarna o “negro bom e cristão” e Liston o mau elemento, Ali surge como uma terceira classe de “cidadão” se assim podemos dizer: ergue sua voz contra a estrutura política e social de opressão aos negros, choca todos ao se filiar ao islamismo, tem uma relação próxima com Malcon X. Ele parece querer gritar para todo o mundo ouvir: “Estou aqui, sou negro, bonito, talentoso e não estou nem um pouco preocupado em seguir qualquer estereótipo de como um negro deve se comportar”. Na realidade, Ali procura quebrar todos esses estereótipos e barreiras. Ele é o novo, em todos os sentidos.

O livro aborda a carreira de Ali até a sua segunda luta com Sonny Liston, e está repleto de frases de bastidores de muitas personalidades que estavam envolvidas com o boxe. Mais do que um livro, O rei do Mundo também é uma aula de contextualização histórica do que foi a década de 60 para o boxe e a sociedade americana.

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